Source Code – Conclusões sobre o filme (Spoiler)

Ok, é um filme de final confuso. O roteiro deixou a desejar quando não esclareceu se o que está acontecendo é realmente realidade simulada ou viagem no tempo. Por isso mesmo várias pessoas andaram chegando aqui no post do filme com palavras de busca do tipo: explicação do final, 5 últimos minutos … vamos tentar elucidar um pouco a viagem que de fato é o final!

A partir daqui há spoilers! Esteja avisado.

Basicamente, o enredo alterna entre simulação e viagem no tempo. A primeira impressão que a história passa é exatamente uma realidade simulada, ou seja, o capitão Colter é inserido numa simulação onde assume o papel de um dos passageiros do trem. Ele pode passar pelos 8 últimos minutos de vida desse passageiro. E pode repetir a simulação quantas vezes forem necessárias. Isso tudo baseado numa tecnologia que permite montar esse simulacro baseado nas memórias do indivíduo.

Até aí tudo bem. Porém, as perguntas começam quando ele vai além do que seria possível simular, ou seja, ele vive situações que não fazem parte das memórias do passageiro. E pior: de ninguém do trem. Ele chega a sair do trem e persegue uma pessoa até o banheiro da estação. Se a simulação é baseada nas memórias, a teoria furou.

Distorção temporal ou na simulação de realidade?

Distorção temporal ou na simulação de realidade?

Porém, durante o filme o próprio capitão percebe que estão jogando com ele e que aquilo pode sim ser uma viagem no tempo. O primeiro grande furo seria: se é viagem no tempo, ele muda tudo toda hora! Isso deveria ter algum impacto, certo? Errado. Quando vamos avançando na história percebemos que o filme trata viagens no tempo e realidades alternativas, onde cada alteração no continuum gera uma nova linha de acontecimentos. O Dr. Emmett Brown explica isso muito bem em De Volta para o Futuro II, rs.

Portanto, aquele final confuso trata-se na verdade de uma realidade alternativa. Nela a viagem ao passado foi bem sucedida, o capitão impede o atentado e fica no passado. Porém, como a viagem no tempo dele não foi corporal (apenas a projeção da mente dele) ele na verdade ainda permanece vivo e bem no futuro. Até o momento em que duas versões dele estão convivendo na mesma realidade. Uma pertence mesmo aquele realidade (o  corpo mutilado na máquina) e já o outro não. O curioso é que, além de não haver esforço por parte do enredo em explicar isso fica claro que o capitão “matou” o passageiro do trem ao ficar com o corpo dele. Fora que esse tipo de viagem no tempo (eu ao menos não tinha visto similar no cinema) é nova e pouco explorada. Projetar sua mente no passado no corpo de outra pessoa … acho que valia o filme render mais um pouco e explicar melhor esses pontos. Se algum outro roteirista resolver abordar esse viés de viagem no tempo, espero que use melhor a história!

Comentários

  1. Gostei dessa explicação.
    No final eu tinha entendido que toda vez que ele era enviado de volta era criada uma realidade paralela no instante em que ele voltasse e ele vivia nessa realidade.
    Mas o que não fez sentido foi essa história de 8 minutos. Por que tem algumas horas que ele permanesse alguns minutos a mais até morrer e ai sim voltar.
    Eu imagino é que, como eles não conseguiam ver nada na outra realidade que a pessoa foi enviada e eles sabiam que podia se voltar 8 minutos antes da morte. Eles ACHAM que em 8 minutos a pessoa enviada volta de qualquer jeito. Digo isso pq o filme não mostrou nenhuma forma de trazer a mente do cara para a realidade “correto”.

    E a única explicação que eu realmente senti falta é de que por que só aquele cara pode participar do projeto? Qual a razão disso ?
    Parece que que tem a ver com a condição do cerebro estar quase morto … bom, não foi bem explicado.

  2. Wagner Ribeiro
    em 31/08/2011 12:59

    Meu Amigo André, com um papo de me chamar de Mestre (Mestre é ele, pô!!!! Ih, não é que é mesmo! :-) o Fabinho me pediu para responder você. Vou tentar, e lembrando o filme de cabeça, então perdoe se falar uma quantidade acima do normal de besteiras, He He he. Talvez nem valha a pena ler mais (sério, você pode pular para “Agora a sua questão…”) , mas vamos lá, primeiro ao contexto geral (para quem não viu lá no Gmail Buzz): segundo o que deduzi (semi-pseudo-cientificamente falando, rs rs rs) do filme, esse lance de realidades paralelas só toma forma definitiva no fim, é como se a cada vez que ele voltasse ao “momento da explosão do trem” ele fosse aumentando o “potencial de ser real” de uma pseudo-realidade-paralela, até que com a morte do cara, tudoooo-paraaaa-eeee PAM!, um tipo de paradoxo se forma e uma espécie de gatilho é disparado (algo como um “colapso de função de onda”, Vide) e eleva o nosso suposto “potencial de ser real” daquela pseudo-realidade a 100%, tornado-a DE FATO uma realidade, paralela. Imaginei isso baseado em informações do próprio filme, especialmente as que cercam o final dele. Repetindo o que escrevi no Buzz:
    O "Source Code" não é um simples computador simulando realidade. O próprio piloto diz algo no fim do filme como "vocês não fazem idéia do que criaram", e o fim todo me sugeriu isso: eles criaram uma interface mente-a-mente (de um moribundo para um morto) que PARECE (para quem a vê funcionar de fora e para quem fez a máquina) criar uma simulação, mas na verdade ela deixa todo o "código fonte" escrito e quando a mente do operador (o piloto) morre e acontece algo como o lance do Gato de Schrodinger, Vide  _ a mente do piloto, trancada no Source Code e isolada de toda(s) a(s) realidade(s), fica num estado morto-e-não-morto, a máquina (ou as leis do universo frente a máquina) então parece reagir num nivel quântico a esse paradoxo e isso gera uma realidade nova! (assim você tem os dois estados, morto e vivo, sem paradoxo, na realidade original ele está morto, mas prossegue vivo numa realidade alternativa) Por acaso eu e Cris já havíamos discutido essa possibilidade há uns anos quando bolávamos como funciona a RV em C7, ali se criam "bolhas holográficas de memória" com as RVs, mas o que os engenheiros não sabiam é que essas bolhas tornavam-se de fato Universos reais. Há inclusive estudos muito sérios, filosóficos e científicos que sugerem que toda a nossa realidade é uma simulação holográfica dentro de uma espécie de hiper-computador-quântico (se esse hiper-computador é natural ou construído já foge a nosso alcance no momento).
    Viagem no tempo parece que simplifica, mas na realidade complica, pois criaria ali o Paradoxo do Avô: se ele salvou o trem foi porque o trem explodiu (e só por isso ele foi "enviado na missão"), MAS se ele salva o trem, este nunca explodiu, e se o trem nunca explodiu o piloto nunca foi enviado ao trem "do passado" (repare que no final do filme o cientista-chefe diz que o projeto nunca foi usado e um dia acontecerá algum grande evento pra que o usem), ENTRETANTO se o piloto nunca foi enviado, o trem de fato explodiu, e se explodiu o piloto foi enviado e o trem não explodiu, mas se o trem não explodiu… Ad Eternum, sacou? Então qual a única saída teórica para esse dilema? Universos paralelos.

    Agora a sua questão (o preâmbulo de contexto foi necessário para dar ênfase dramática à resposta em si). Também me baseando no filme e em como é apresentado o lance dos 8 minutos, creio que a explicação do filme teria haver com o tempo de memória que eles conseguiriam recolher do professor morto na explosão (veja lá no filme, há um momento em que o cientista-chefe diz que parte do “Source Code” é a técnica de extrair alguns minutos de memória que ficam armazenados no cérebro recém morto. Não recordo se ele fala que são 8 minutos, mas é a única coisa que pode ter haver com esse intervalo, no contexto da história), e entro da qual o Piloto “mergulharia” para reviver os momentos até a explosão do trem. Mas (novamente semi-pseudo-cientificamente falando) deduzi que esses 8 minutos não tem base nenhuma, rs, são o velho, bom, e eletrizante “recurso de roteiro” para tornar as coisas mais interessantes! Hum… Alguns dizem que o som no vácuo das naves e tiros de Guerra nas Estrelas é um desses recursos… Cruciaaaaatus!!! ;-)

  3. Wagner Ribeiro
    em 31/08/2011 01:15

    Opa, faltou dizer o por quê do cara semi-morto ser o único a poder falar com o cara morto. Pelo que entendi, nem os projetistas sabem ao certo o por quê. Me parece que uma resposta razoável seria que (Dedexter tem toda a razão!!!), num outro “recurso de roteiro”,  os criadores do filme pensaram em algo parecido com aquilo que os orientais chamam de Portal Negro (Vide), atribuindo que somente alguém próximo ao “outro lado” pode de fato experimentar as últimas recordações de alguém que já está do “outro lado”. Isso, para o roteirista, deixa o gancho também de que o “outro” lado é a “fonte” das realidades, e somente nesse limiar as realidades paralelas podem ser criadas… Caramba, estou dando spoilers do meu próprio jogo de C7!!! Fabio Farzat, NÃO LEIA ISTO!!!! Rs rs rs rs! :-)

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