Roubo nas Alturas (Tower Heist, 2011)

Roubo nas alturas (Tower Heist, 2011) é um filme que pode trazer interesse e criar esperança nos fãs de Eddie Murphy que imaginam o retorno do ator aos filmes de ação e comédia que tanto fizeram sucesso e o tornaram famoso na década de 80, como “Um Tira da Pesada (Beverly Hills Cop, 1984)” e “48 horas (48 Hrs., 1982)”.

Se você tem essa expectativa, então cuidado porque este filme tem outro “Dono”. Ben Stiller está no comando como ator principal, deixando para Eddie Murphy uma participação restrita. Não chega a ser uma participação especial, mas com certeza não é nada parecido com os filmes de sucesso protagonizados por ele. Mesmo assim, Eddie Murphy não deixa de roubar as cenas quando aparece no papel de um ladrãozinho de rua, chamado Slide.

O filme é bom, mas com certeza poderíamos achar muito melhor se não tivéssemos assistido outros dois filmes: “Onze Homens e um Segredo (Ocean’s Eleven, 2001)” e “O Plano Perfeito (Inside Man, 2006)”. A trama é a mesma, um grupo unido em torno de um plano para roubar algo muito bem guardado. A diferença entre eles está na qualidade do resultado. Roubo nas alturas é um filme que distrai, mas se for comparado aos outros dois, percebe-se bem suas limitações.

Em minha opinião, o diretor Brett Ratner (o mesmo dos filmes “A Hora do Rush 1,2 e 3”) deixa escapar a oportunidade de dar mais peso na linha da comédia do que na linha da ação. Com os atores Eddie Murphy e Ben Stiller contracenando no episódio do engraçado treinamento dado por Slide, percebe-se o potencial que estou falando. Eu até pensei que o filme iria por esta linha a partir daquele momento, mas foi alarme falso. Ben Stiller, no papel de Josh Kovacs, é quem direciona a maioria das cenas do filme sem nenhum brilhantismo.

Kovaks é o cérebro por trás do plano para assaltar a cobertura do milionário de Wall Street, Arthur Shaw (Alan Alda) que roubou o fundo de pensão de todos os funcionários que trabalhavam em um luxuoso prédio no centro de Manhattan, no qual Kovaks era gerente. Sentindo o desdém do milionário pelas consequências causadas a vida de cada um deles, o assunto se torna pessoal e começa, então, o plano de vingança para reaver tudo o que lhes foi roubado.

Para executar o seu “plano perfeito”, Kovacs precisa da ajuda de algumas pessoas: um ex-morador do prédio, mas falido, Sr. Fitzhugh (Matthew Broderick), o ascensorista e eletricista abobado Dev’Reaux (Michael Peña), seu cunhado Charlie (Casey Affleck), a arrumadeira jamaicana especialista em arrombamento de cofres Odessa (Gabourey Sidibe) e o malandro Slide (Eddie Murphy).

O grupo tem a seu favor, além de conhecer cada parte do prédio, o fato de terem passado mais de dez anos observando os hábitos de cada morador e o funcionamento do condomínio. A complicação do plano começa quando o milionário a ser roubado passa a ficar sobe custódia domiciliar do FBI. Mas isso pode não ser problema se a agente do FBI Claire Denham (Téa Leoni), que não acredita tanto assim no “sistema”, começar a ajudar.

Assistindo as cenas de ação, confesso que tive uma sensação de insegurança ao ver as tomadas vertiginosas que passam fora do prédio. As cenas são tão bem feitas que podemos sentir aquele frio na barriga quando normalmente olhamos para baixo em grandes alturas.

O filme deixa tênue o tom de crítica social, refletido pelos acontecimentos atuais do movimento Occupy Wall Street, contra a impunidade que cerca  os magnatas do dinheiro.

Roubo nas alturas trás um elenco que obriga você a pensar como o tempo transforma as pessoas, inclusive eles, artistas de Hollywood. Você ainda se assusta quando vê um Ben Stiller (que um dia fez “Zoolander, 2001”) de cabelos grisalhos, um Eddie Murphy cheio de Botox e um Matthew Broderick que em “Curtindo a Vida Adoidado (Ferris Bueller’s Day Off, 1986)” fazia papel de adolescente e agora aparece como um velho barrigudo.

Mas isso pode ser sentido por quem tem mais de 30 anos, porque o público mais novo nem vai perceber.

Comentários

  1. Talvez o filme realmente pudesse ser um pouco melhor do que foi, mas achei bem divertido e valeu o “retorno” de Eddie Murphy que, mesmo atuando como coadjuvante, rouba a cena sempre que aparece.

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