Quadrilogia Alien

Me adiantando um pouco para Prometheus e seguindo a linha de recomendar alguns bons e antigos filmes de sci fi, resolvi encarar a Quadrilogia Alien. Já havia assistido todos, porém nunca em sequência e com o olhar mais crítico ao invés do olhar de fã. O resultado da experiência é ótimo, afinal começamos em Ridley Scott e vamos seguindo com James Cameron, David Fincher e fechamos com Jean-Pierre Jeunet (confesso que dele só lembro mesmo de “O Fabuloso Destino de Amélie Poulain”, que é sensacional).

Seguindo na linha cronológica os três primeiros filmes são praticamente uma história só. Por mais que o link entre eles não seja dos melhores (sempre em naves de fuga de emergência), o resultado assistindo os três em sequência é ótimo. Percebi poucos furos no enredo como um todo. Já o último foi um pouco forçado no que tange a história, mas passa.

Uma nave mineradora humana com sete tripulantes encontra “acidentalmente” uma nave alienígena em um planeta desconhecido. Durante o reconhecimento, um dos integrantes da tripulação sofre um acidente, onde um dos “ovos” encontrados libera uma criatura que gruda no rosto e pescoço do astronauta. Horas depois, o peito do tripulante estoura, um Alien filhote sai do toráx do mesmo e foge. A partir daí fica claro o porque do nome do filme: O Oitavo passageiro. Vale a ressalva: nome no Brasil. No original ficou apenas “Alien”.

É, deve doer.

É, deve doer.

Nesse instante temos o primeiro contato com os Aliens, que são criaturas  xenomorfas, ou seja, absorvem características de seus hospedeiros. Ao inserir o embrião no humano, começa o processo de “gestação” e consequentemente de mutação da espécie. Todo o enredo do primeiro filme gira em torno de sobreviver ao Alien. Vitória alcançada, apenas uma humana sobrevive e segue para o espaço numa nave de fuga aguardando o resgate. Essa humana é a Tenente Ellen Ripley (Sigourney Weaver) e é a protagonista de todos os outros filmes.

No segundo filme, a nave de Ripley é resgatada (segundo eles por sorte) 57 anos depois do incidente do primeiro filme. Aqui ela responde a um inquérito que questiona as decisões tomadas em relação a eliminação do Alien, assim como da nave. Com isso forçam um acordo onde ela é obrigada a acompanhar um grupo de fuzileiros de elite com o propósito de avaliar a atual colônia estabelecida no planeta onde o contato com os Aliens foi feito. Dessa vez a brincadeira é das boas. Os Aliens já haviam se estabelecido e haviam mais de 100 indivíduos lá, além da própria rainha. Nesse filme temos vários conceitos novos: um habitat mais personalizado deles, o fato de que há uma rainha entre eles e que existe uma certa inteligência nos Aliens, bem além de instintos …

O desfecho da brincadeira é Ripley sair de lá viva e acompanhada de um androide em pedaços, uma criança e um dos fuzileiros. Porém, dois ou três (não fica claro no filme) ovos Aliens já abertos (de onde sai um criatura intermediária, que é quem de fato injeta o embrião Alien no hospedeiro) seguem viagem com eles. Com o ataque deles com todos dormindo, um incêndio acontece. Isso faz com que a nave ejete as cápsulas onde eles estão dormindo numa pequena nave de fuga de emergência. Começamos então com o terceiro filme.

A cápsula cai em um planeta onde há apenas um presídio de segurança máxima que, a priori, já deveria ter sido desativado. Alguns poucos presidiários resolveram ficar e manter o lugar já que não seriam mais aceitos em sociedade. Existe também o fato de que o presídio é masculino somente, numa situação que faz lembrar um seminário: eles seriam os seminaristas. Tinha até esse apelo mais religioso mesmo. Ripley é resgatada pelo grupo de poucos funcionários da penitenciária, que logo chamam um resgate para retirá-la de lá, já que os detentos não veem uma mulher há anos. Ali ela descobre ser a única sobrevivente e um pouco mais: ela está com a infecção de um embrião de rainha Alien. Como eles sabiam que era uma rainha, não me perguntem …

Uma das criatura contamina um cachorro, e aí temos uma nova versão de Alien: nascida de um cão. Apesar disso ela era bem próxima da versão nascida de seres humanos. E esse “cão de guarda” caça as pessoas do presídio com exceção de Ripley. Pelo que entendi, como ele não podia colocar ovos, ele limpou “o ninho” para chegada da rainha, para esta não correr riscos. Apesar de achar um ambiente um pouco forçado, o filme até foi bom. Neste finalmente Ripley encontra a morte, levando consigo a rainha e acabando com qualquer vestígio Alien que a humanidade tenha conhecido.

Sim, quase um pet.

Sim, quase um pet.

Porém, como cita o título do post, o que temos é uma quadrilogia Alien. Sim, o último Alien faz jus ao título: ressureição. Uma vez o Márcio do Porra, man! me disse que é difícil não recomendar um filme de sci fi para quem é fã. Esse é o caso. No último filme um grupo de cientistas com um século de vantagem em relação ao filme anterior abre um projeto para clonar Ripley em estado adulto, com a Rainha Alien ainda em “gestação”, com o objetivo de extrair o xenomorfo. Com isso, além de ter acesso a Rainha eles ainda viabilizam doze espécimes adultos para estudo. Mas claro que isso não podia dar certo!

Entre vários dos absurdos desse útlimo filme, que é o melhor em recursos visuais e o pior em roteiro, temos que a Rainha sofreu mutação (???) e que ganhou a capacidade de se reproduzir como um humano, ou seja, além de por ovos comuns ela pôde engravidar. O bebê gerado era diferente de todos os Aliens até então: esse tinha um crânio que lembrava bem um humano.

Enquanto que nos três primeiros filmes temos um sequência lógica razoável, o último estraga completamente o tom sério da franquia, fazendo com que a coisa saia completamente do terror desconhecido para a bagunça genética mais improvável possível. Se for possível (acredite, é difícil) assistir apenas os três primeiros, ótimo! Até porque em Prometheus não veremos o conceito comum de Aliens: parece que nem mesmo unzinho deles dará o ar da graça nessa produção. E não há relação entre as histórias. Então anota aí: assista os três primeiros e pare!


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