Poder sem limites (Chronicle, 2012)

Quando o meu irmão me mostrou o trailer de Poder sem Limites a primeira associação que eu fiz  foi com a animação japonesa Akira (Akira, 1988), mas a linha do filme é bem diferente da animação.

Andrew

O filme começa com Andrew Detmer (Dane DeHaan) um adolescente que realiza o desejo de comprar uma filmadora e passa a filmar tudo em sua vida desde então. Através de sua câmera começam as imagens do filme. Andrew passou a carregar a sua câmera para todos os lugares e,  durante uma festa,  um rapaz chamado Steve (Michael B. Jordan) o pede para registrar uma coisa que ele encontrou. No local estava seu primo Matt (Alex Russell) observando uma cratera estranha que eles acharam. Um estranho som é emitido de lá e isso faz com que entrem para investigar. Lá dentro se deparam com algo muito estranho e difícil de explicar, a própria câmera mal consegue registrar o evento. Algo fora do normal acontece e o  registro que está sendo feito pela câmera pára e ficamos só com o som por um breve instante. Na cena seguinte temos os três jovens filmando um treino com uma bola de baseball fazendo arremessos impossíveis, onde a bola é arremessada para esquerda e subitamente é levada para direita. Durante a brincadeira Andrew consegue parar a bola no ar sem tocá-la.

Fica claro que os três adolescentes ganharam poderes psiônicos (telecinesia)  e começam a fazer brincadeiras com suas novas habilidades. Ao mesmo tempo, acompanhamos o drama da vida de Andrew,  onde a sua mãe está em estado avançado de uma doença que mal a deixa sair da cama e seu pai, um bombeiro inválido com problemas com bebida que o trata como um lixo. O filme aqui deixa claro que Andrew não gosta nem um pouco de sua vida e como ele sofre com o dia a dia.

Com o tempo e com a prática eles passaram a ficar cada vez mais poderosos e Andrew se torna o mais habilidoso entre os amigos. Depois de um acidente em que Andrew quase mata um inocente, ele começa a refletir sobre a sua superioridade perante as outras pessoas. A partir daqui é que vem o filme de verdade!

Ao entrar na cratera

Ele foi produzido em um estilo de filmagem diferente, conhecido como Found Footage.  As cenas que compõem o filme são feitas pelos próprios personagens usando uma câmera caseira, fazendo o expectador se sentir na mesma situação do personagem. O já clássico Bruxa de Blair (The Blair Witch Project, 1999 ) foi quem iniciou esse estilo nos cinemas trazendo uma história de terror em que o expectador se sentia tão confuso quanto os personagens no filme. Mas passaram-se anos e só em 2007 foi produzido o segundo filme seguindo a mesma linha. O filme espanhol Rec (Rec, 2007) tem as cenas filmadas por um repórter que acompanha uma equipe de bombeiros durante um chamado. O filme todo relata a experiência  através da visão desse repórter. E por fim, o independente Atividade Paranormal (Paranormal Activity, 2007) do mesmo ano, tem uma ideia diferente dos anteriores, o filme é relatado por câmeras de segurança instaladas na casa. Ambos são filmes de terror e com enredo sobrenatural, porém com visões e abordagens diferentes, usando o mesmo estilo de filmagem.

Porém, eu acredito que o Found Footage ganhou notoriedade de verdade quando Cloverfield – Monstro (Cloverfield, 2008 ) chegou aos cinemas. J.J.Abrams resolve produzir o primeiro filme grande do gênero, que até então só tinha aparecido em filmes independentes ou de baixo orçamento. A ideia parece ter dado certo. A grande diferença de Cloverfield foi usar o gênero para retratar o surgimento de um monstro em Nova Iorque. Posso comparar a ideia com a do filme Guerra dos Mundos (War of the Worlds, 2005) onde a história gira em torno do protagonista tentando sobreviver a um ataque alienígena. Cloverfield tem a mesma premissa, mas as imagens são feitas pelos próprios personagens segurando uma câmera. E claro: eles não sobrevivem!

Andrew controlando a camêra

Andrew controlando a camêra

Um diferencial de Poder sem Limites foi não usar apenas uma câmera como fonte de imagens. Há outros personagens que também estão filmando e também são usadas câmeras de segurança ou mesmo celulares. Eu gostei muito dessa ideia, pois as vezes era possível mostrar a mesma cena de outro ângulo, mas você já tinha visto o personagem com a câmera, então você já percebe que agora a câmera “em ação” é a outra. Isso quebrou um pouco o fato de tudo vir sempre de um ângulo e permitiu, sem dúvida, mais velocidade ao filme.

Eu achei este filme o melhor desse estilo até hoje. O primeiro a trabalhar bem os personagens e também ter uma história interessante. A evolução dos protagonistas praticando os poderes é muito empolgante de acompanhar e a expectativa que o trailer me gerou foi bem atendida. Na verdade o trailer em si entrega todo o filme, mas só com o desenrolar dos fatos é que a coisa “pega no tranco” e vai até o final com um ritmo bom, sem exageros e sustentando o estilo, mesmo que as vezes usem de quatro a cinco câmeras diferentes!

É um filme cabeça que nos faz pensar sobre o que o tio Ben Parker já nos ensinou: “Grandes poderes trazem grandes responsabilidades”. Acredito que não irá agradar o público geral, que vai praticamente ignorar esse filme com os outros indicados ao Oscar que estão em cartaz. Caso esteja em dúvida sobre assisti-lo, recomendo que veja o trailer e decida se quer acompanhar a mudança de uma pessoa muito sofrida e humilde em um super que não sabe como se posicionar no mundo frente a sua nova realidade. Para os fãs de RPG e quadrinhos fica a dica: o filme é sensacional.

Comentários

  1. Fabio Farzat
    em 05/03/2012 02:25

    Cara! Esse filme foi sensacional … pena que não produzem filmes sobre heróis com esse viés. A construção do vilão foi ótima. Poucos exageros em relação ao poder deles … com exceção, claro, do final!

    Vi no cinema e com certeza vai pra coleção de melhores filmes! Muito bom.

  2. Gostei do filme, mas acho que o recurso de cãmera na mão em certo ponto começa a “atrapalhar”.

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