Planeta dos Macacos – Série com todos os filmes

Há quem diga que a boa ficção científica precisa de temperos com base tecnológica. Porém, as melhores ficções são sempre baseadas em enredos onde o fator humano é o explorado. Desde carregados romances indo até guerras entre civilizações e viagens no tempo: quando a ficção fica como o pano de fundo o resultado é sempre bom.

"Tire suas patas fedidas de cima de mim, seu maldito macaco nojento!"

"Tire suas patas fedidas de cima de mim, seu maldito macaco nojento!"

O primeiro filme foi baseado no conto do Francês Pierre Boulle, que entre outras obras também publicou o famoso A ponte do Rio Kwai (Livro de 1952, adaptação para o cinema em 1957). No seu texto original uma expedição humana vai até o sistema Betelgeuse para explorar um planeta muito similar a Terra. Lá eles descobrem uma raça de macacos inteligentes que domina o planeta e subjulga os humanos que lá viviam. O desfecho do conto é a volta para Terra onde o principal cientista entre eles chega mais de 700 anos após sua partida e encontra a situação igual ao do planeta de origem da viagem: Macacos Inteligentes no poder. Daí ele foge rapidamente para o espaço e escreve sua jornada para que ela possa ser encontrada posteriormente por alguém.

Nenhum dos filmes produzidos até hoje foi fiel ao texto original, porém todos sofreram forte influência. Curiosamente o mais distante entre eles, o Remake de 2001, tem um final próximo ao do conto, onde o capitão Leo Davidson (Mark Wahlberg) consegue voltar a terra e descobre que a humanidade acabou e que os Macacos dominam. Só que nesse caso há um trocadilho que nos leva a entender que todo o filme se passou na própria Terra, só que no passado. Igual ao filme de 68.

Porém, todos os outros seguem uma sequência temporal de eventos. Mesmo no Planeta dos Macacos: Origem (Rise of The Planet of The Apes, 2011), que dá uma boa atualizada (e alterada) no filme anterior que conta a saga de Caesar: Conquista do Planeta dos Macacos (Conquest of the Planet of the Apes, 1972), temos conexões bem claras com o conto e com os filmes anteriories.

Na sequência de filmes originais temos Planeta dos Macacos (Planet of The Apes, 1968), De volta ao Planeta dos Macacos (Beneath the Planet of The Apes, 1970), A fuga do Planeta dos Macacos (Escape from the Planet of The Apes, 1971), A Conquista do Planeta dos Macacos (Conquest of The Planet of The Apes, 1972) e A Batalha do Planeta dos Macacos (Battle for The Planet of The Apes, 1973). Com exceção do segundo filme, todos eles tem um bom enredo e foram muito bem produzidos. Lembrem que estamos falando de filmes com mais de 30 anos …

O enredo interconectado dos filmes segue a seguinte linha: uma praga teria exterminado todos os cães e gatos da Terra. O vírus que causou o extermínio teria vindo do espaço durante uma das missões a Lua. Para substituir seus pets, as pessoas passam a possuir macacos. Com o passar dos anos os macacos aprendem bem os afazeres domésticos e até tarefas mais complexas, o que os muda de animais de estimação para verdadeiros escravos. Depois de alguns séculos os macacos se dão conta dos conceitos de escravidão e liberdade e são liderados por um chimpanzé chamado Aldo (Teria sido o primeiro deles a articular palavras, porém quem o faz de fato é Ceasar o filho deles. Detalhes mais a frente.) numa batalha por sua liberdade. A partir de então a humanidade perde seu papel como dominante e os símios se tornam a raça forte do planeta.

A cronologia dos filmes nos mostra: em 3955 a nave de Taylor (Charlton Heston)  cai no planeta dos macacos. No mesmo ano uma nave de resgate também cai. Durante uma caçada aos humanos pelos símios, o mundo seria destruído por um artefato nuclear humano. Porém, três chimpanzés usando a nave do primeiro filme conseguem escapar da Terra e são jogados de volta ao ano de 1973, onde são mortos. Mas não antes de dar a luz a um bebê que seria o Líder da rebelião dos macacos no futuro, Caesar (Roddy MacDowall). A partir de então o foco muda e passamos a acompanhar o desenrolar da vida de Caesar, como a rebelião começou e como ele estabeleceu a primeira vila de macacos.

Sou pai do meu tata ... tataravô. E daí?

Sou pai do meu tata ... tataravô. E daí?

Em todos eles existem alguns absurdos científicos que, como sou muito chato, acaba que não consigo deixar passar:

  • No primeiro filme a nave espacial cai e começa a entrar água … mas é muita água! Uma nave que fez a viagem que fez ter uma fuselagem tão fraquinha foi chato de ver. Fora o tiro no pescoço que não matou Taylor  mas o deixou sem poder falar …
  • Nada é falado sobre o fato dos humanos serem mudos. Só simplesmente são. Em nenhum dos filmes seguintes vi nenhuma explicação ou mesmo fato que revelasse o porque disso;
  • Um dos astronautas da nave é uma mulher que acaba morrendo durante a queda. Mais a frente, Taylor cita que ela era um plano para popular o planeta que eles estavam indo explorar, como uma segunda Eva. Que coisa, não?
  • O segundo filme é muito ruim. O enredo é bobo demais, a construção também e foi forçado o fato da nave de resgate ter “caído” no mesmo lugar e tempo que a nave do primeiro filme. Os humanos “evoluídos” e que continuaram a viver no subterrâneo destruído de NY possuiam poderes psiônicos (Telepatia). Mas por algum estranho motivo eles não enfrentavam os macacos… Ainda soltaram a seguinte pérola: Nós somos pacíficos. Não matamos. Usamos nossos poderes para fazer VOCÊS SE MATAREM… Gente legal heim?
  • Tem uma cena lá pelos minutos finais do segundo filme que me arrancou muitas risadas. Os macacos chegam até o templo da Sagrada Bomba (só isso já é de rir muito) e o último dos sacerdotes os enfrenta dizendo: Essa é a arma do nosso Deus! Parem! O general dos macacos (um gorila) pega um dos rifles que eles tem e diz assim: seu Deus é? E enche o cara de tiros. Termina soltando: Seu Deus não te salvou não né? Cara, a cena é muito engraçada.
  • No final das contas a Terra é destruída pelos humanos que usam a tal bomba. E isso é o estopim para o próximo filme. Três chimpazes conseguiram içar a nave avariada do primeiro filme (não me perguntem como) e a colocam operacional. Fogem para o espaço com ela durante o evento que teria destruído a Terra, voltam ao passado no ano de 1973. Autoridades da época os resgatam e começam as investigações e afins. Esse é o filme onde Caesar nasce (Fuga do Planeta dos Macacos) e apesar de você precisar aceitar um monte de absurdos para começar a vê-lo, é um dos bons.
  • Caesar não se reproduz mas todos os macacos, misteriosamente, começam a entendê-lo, falar e obedecê-lo. Inclusive usando armas e similares.
"Malditos! Eles sabiam o tempo todo!"

"Malditos! Eles sabiam o tempo todo!"

Mesmo que depois do primeiro filme o apelo científico mais sério tenha caído e que os produtores tenham soltado a imaginação sem se importar com questões que, ao meu ver, tornariam essa uma saga de sci fi única, no geral os filmes divertem bem e são até atuais. Vale, de novo, ressaltar que eles tem mais de 30 anos e que as coisas eram precárias na época. Temos ainda duas cenas mais que clássicas:

  • A captura de Taylor onde ele solta a pérola “tire suas mãos sujas de mim seu macaco imundo!”;
  • A cena final onde ele encontra os restos da Estátua da liberdade e descobre que estava o tempo toda na terra;

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