O Preço do Amanhã (In Time, 2011)

Tempo é dinheiro. Quem nunca ouviu essa máxima? Analisando o significado friamente temos duas conclusões lógicas: para se ter tempo é preciso ter dinheiro. Muito. E para ter dinheiro é preciso ter tempo. Confuso, mas faz todo sentido quando pensamos no nosso cotidiano. Apenas um pequeno grupo de pessoas no mundo pode se dar ao luxo de realmente fazer o que quiser com o seu tempo. Um ínfimo grupo aliás. É em cima desse tema que O Preço do Amanhã (In Time, 2011) desenrola toda a sua crítica envolta num rótulo de ficção científica.

No futuro (não cita ano, mas deixa claro que não pode ser muito além devido a tecnologia) a evolução no campo de Engenharia Genética modificou os humanos para não mais envelhecerem após os 25 anos de idade. O capital passou a ser tempo: após os 25 anos as pessoas trabalham para conseguir mais tempo de vida. E esse tempo de vida é a moeda base da economia. Um café por dois minutos de vida, que tal? E um ônibus que custa uma hora? Não é “justo”?

Vivendo nesse contexto, quem consegue acumular riqueza vai se tornando imortal. Pelo menos de velhice ou causas naturais pelo que pude entender. Um bom e belo tiro ainda mata a pessoa. Bebida (???) também. Um relógio (é, isso mesmo…) fica no braço esquerdo de todas as pessoas, e mostra quanto tempo ela ainda tem. Apesar da idéia ser surreal, o filme consegue te acostumar com isso, e o ritmo segue acelerado de forma a não te deixar pensar muito na coerência de alguns fatos. Numa bela noite Will Salas (Justin Timberlake) salva um estranho da máfia do tempo (sim, isso mesmo…) e com isso é presenteado com um século. Sim, o cara dá o século de vida que ele tinha e se deixa morrer. Com isso a vida de Will toma um rumo completamente diferente onde ele vai acabar encarando de frente o novo sistema.

Com simplesmente nenhuma atuação exemplar, nem de destaque, ficamos com apenas o enredo para nos entreter e divertir. Infelizmente, ao menos para mim que curto muito sci fi, não divertiu. Vamos aqui a uma seção de spoilers, mas não há como fazer a crítica sem entrar nos méritos:

[Aviso de Spolier]

Todas as pessoas tinham uma espécie de cronometro no braço. Aquilo determinava o seu tempo de vida. E deficientes físicos? E se em um acidente você perde o dito cujo, acabou? Que forçado.

Sério isso?

Sério isso?

Um outro fato que me incomodou muito durante o filme é a forma como você gasta e faz depósitos de tempo. É diretamente no pulso. Mas não há controle algum sobre isso: quem colar o pulso com o seu e pensar em lhe retirar o tempo, tira. E não há nenhuma defesa no sistema para te manter vivo, nada. Que porr* de engenharia genética fajuta é essa que, apesar de conseguir congelar o corpo e te manter vivo por séculos, não tem um sistema ridículo de senha, trava ou similar?

Como se não bastasse ainda há o fato de que celulares, internet ou qualquer outro meio de comunicação sem fio e a distância inexiste. Para carregar tempo no seu corpo só fisicamente. A morte da mãe de Will é simplesmente burra: sair do trabalho, pagar um empréstimo e ficar sem tempo para pegar um ônibus? Tá de sacanagem?

Entre tantos e tantos vacilos na parte “lógica” do filme, vem um crítica feroz ao sistema econômico atual: no filme um dos personagens aparece com nada mais nada menos que nove mil anos no braço. Um abuso sensacional. Imagine poder viver por tanto tempo e sem ter que se preocupar. No filme isso chega a ser imoral, como se ninguém precisasse de tanto tempo para viver. Mas no paralelo com a vida real temos os bilionários. Também chega a ser imoral tanta riqueza concentrada nas mãos de uns poucos. Mas a verdade é que não fazemos nada a respeito, certo?

Tirando o lado crítico do filme, não consegui me divertir. A ficção é precária, cenários bem fajutos, motivos bem superficiais e nenhuma atuação que prenda. Pra dormir faltou apenas lugar.

Comentários

  1. De fato, como em meio a tanta tecnologia, em certas partes pareciam que voltaram ao tempo. Não existia celulares.

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