Jogos Vorazes (The Hunger Games, 2012)

Ao assistir o trailer e ver toda a publicidade em cima de Jogos Vorazes (The Hunger Games, 2012), percebi que se tratava de uma nova (e longa) saga para os cinemas. Confesso que a primeira impressão não foi positiva: associaram o filme à famigerada (ok, é só minha opinião) saga Crepúsculo. E isso quase me impediu de ir ao cinema para conferir. Mas sabem como é né? Cinema pra mim vem em primeiro lugar… Então fui lá conferir a nova produção que promete trazer um novo tom às sagas longas de aventura às quais estamos acostumados …

Livros da coleção

Livros da coleção

Como assim um novo viés? O que Jogos Vorazes trouxe é uma boa história onde ação e efeitos realmente são complementares ao enredo e não o foco principal do filme. Está cada vez mais difícil assistir um filme que não apele para os efeitos visuais para conseguir público. Jogos Vorazes conseguiu muito bem servir de exemplo para casos onde uma boa história pode ser produzida para as telonas, sem apelar visualmente e mesmo assim arrasar. Foi uma surpresa muito boa não ter percebido que o filme tem lá suas duas horas e meia de duração. E vem mais aí: a história é baseado no livro de Suzane Collins de mesmo nome, que é o primeiro de três.

Como trata-se de ficção científica, vale perder um pouco da massa cinzenta recomendando. O filme me prendeu na cadeira enquanto a história de Katniss Everdeen (Jennifer Lawrence) era introduzida: em um futuro onde há distritos subjugados após uma guerra devastadora, fome e destruição para todos os lados, há o distrito 12 que é conhecido como o distrito rural  e o mais humilde e menos desenvolvido de todos. Como parte de uma tratado de paz a capital do sistema de governo dos distritos sorteia um casal de jovens para participar de um torneio chamado Jogos Vorazes. Trata-se de uma competição até a morte entre os participantes onde pode haver apenas um vencedor. Tal torneio é um símbolo de paz entre os distritos que outrora usaram da guerra contra a capital do sistema.

Claro que estranhei muito a forma como isso foi colocado no filme. Não haver revolta  ou protestos contra o tal torneio que mata 23 pessoas por ano, totalmente a contra gosto das pessoas, estava estranho. Porém, o torneio em si é uma estratagema para manter esse frágil sistema de controle da capital funcionando. Trazendo exemplos do mundo real, tratava-se de um grande reality show onde o mundo além de acompanhar os jogos, podia interagir com os participantes (chamados de tributos) e inclusive mudar o rumo das coisas patrocinando-os.

Elenco Principal de Jogos Vorazes

Elenco Principal de Jogos Vorazes

Esse é o elemento chave da história dessa saga. E foi aí que a produção foi feliz: ficou muito bom acompanhar entre as camadas da sociedade como a coisa era conduzida. Se não levar em conta a tecnologia e a parte de sci fi em si, ainda assim o filme arrebenta quando introduz esses conceitos: até onde podemos nos tornar tão fúteis que permitimos que crianças, adolescentes e adultos lutem até a morte apenas por nossa diversão? Lembrando uma versão enorme e futurista dos gladiadores romanos, Jogos vorazes traz a tona questionamentos sobre o caminho que a humanidade está tomando, e coloca isso de maneira inteligente e desafiadora.

Caesar Flickerman apresentando os jogos

Caesar Flickerman apresentando os jogos

Assistir a mais um bom trabalho de Woody Harrelson (ok, eu acho o cara muito bom) também foi ótimo. De maneira geral o elenco mandou bem, mas o destaque mesmo foi o personagem do apresentador principal dos jogos Caesar Flickerman (Stanley Tucci). Robou literalmente as cenas em que atuou, e conseguiu passar o ar frio e calculista que um apresentador de reality show tem na vida real. Fazendo uma pessoa muito emocionada com a vida dos participantes do jogo, mas que se desligava completamente quando era necessário, ouso dizer que é um dos melhores personagens do filme. Fiquei com muita curiosidade de ler os livros agora que vi a primeira parte da saga.

Fechando com chave de ouro o filme entrega um final inesperado de maneira sutil e muito bem amarrada. Por alguns instantes achei que a produção ia fazer uma sequência parecida com Senhor dos Anéis: acabou, continua no próximo, sorry. Longe disso o filme encerra o assunto abordado na primeira parte, mas deixa os ganchos para a continuidade sem fazer você ter ódio da história por precisar esperar. Fazia um bom tempo, talvez desde A Origem, que eu não ia a cinema e saia tão satisfeito com o resultado. Filme nota dez!

Ficha Técnica:

Período de Filmagem: 23 de maio de 2011 até 10 de setembro de 2011
Locação: Black Mountain, North Carolina, USA
Orçamento: USD 78 Milhões
Pais de Origem: USA
Produtor: Nina Jacobson/Jon Kilik
Diretor: Gary Ross
Tempo de projeção: 142 minutos
Classificação etária brasileira: Não recomendado para menores de 14 anos por mostrar cenas que envolvem os seguintes assuntos: drogas lícitas e violência.
 
Classificação Infinidade: Cérebro ligadão

Comentários

  1. Cara, acabei de chegar do cinema e eu fui enganado pela minha expectativa.

    Realmente todo mundo que eu perguntei elogiou muito o filme, mas acabou que eu achei a história fácil demais. Tirando a jogada do final que você comentou, que eu realmente me surpreendi, eu não acrescento mais nada de interessante do filme.
    Tiveram várias sacadas que eu só consegui pegar conversando com um amigo que tinha lido o livro antes.
    Como sempre, a escrita é muito melhor que o filme. hehe

  2. Fabio Farzat
    em 04/04/2012 11:09

    Filmes são uma outra forma de contar histórias. Infelizmente não é possível comparar livro e filme. Veja o exemplo do Potter: a história de Snape ficou tão bobinha no filme que nem parece o agente duplo sinistro que temos nos livros.

    Com Jogos Vorazes temo o mesmo sintoma: nem tudo foi adaptado da melhor maneira. Como não fiz a leitura do livro, fiquei com uma boa impressão dele através do que vi no filme. Exatamente o efeito contrário! :)

    • André Farzat
      em 04/04/2012 02:23

      Deixa uma boa impressão, mas não um bom entendimento.

      Exemplos com spoilers :

      Aquele gesto de beijar a ponta dos dedos e levantar mostrando os 3 dedos, no filme aqui passou batido, sem explicação. O lance das camadas sociais, isso não ficou nenhum pouco claro também. E o que me deixou mais pensativo, daonde vinha aqueles itens no mini-paraquedas ? quem enviava para ela ? A minha impressão foi aquele bebado loiro ( esqueci o nome ) que conseguiu influenciar o cara do programa para enviar.

      • Fabio Farzat
        em 04/04/2012 02:26

        Po Deco: então você dormiu no filme! Rs. O lance dos dedos, apesar de não falado, é mostrado logo ao início … durante o filme eles citam os patrocinadores e tal … que são as pessoas que enviam os itens e afins. Acho que tudo que ficou subliminar acabou te escapando. Pode ser também gosto: eu não gosto de informações explícitas demais, acho que o filme tem que respeitar a inteligência de quem está assistindo … mas isso é gosto apenas :)

  3. Wagner Ribeiro
    em 24/04/2012 05:25

    Nem sequer a idéia de “reality show” de gladiadores é nova.
    Arnold e King já haviam desenvolvido o essencial da história em [http://pt.wikipedia.org/wiki/The_Running_Man] e [http://pt.wikipedia.org/wiki/The_Running_Man_%28livro%29], ficando apenas a adaptação da idéia para os jovens atuais (que, em essência, esperneiem o que espernearem, estão exatamente os mesmos, rs rs rs).
    Filme de “Cérebro Relaxado” para mim, distrai, poderia ser muito bom (dada a temática política e essa questão, também antiga, da banalização da dor na mídia), talvez os livros sejam melhores.
    Quem sou eu para falar, mas desconfio que Hollywood deve estar cortando custos, especialmente em roteiristas capazes de enxergar o “todo”, em roteiristas e diretores capacitados a entender, por exemplo, que se “confeitar disfarces” ficou legal no livro (suponho, não li), na tela de cinema isso ficou entre “pavoroso” e “quero-meu-ingresso-de-volta-imediatamente”: o cara ferido “confeitar” a si mesmo como uma pedra de beira de rio… Cara! Doeu a vesícula que eu já nem tenho!… Schwarzenegger levou a melhor de novo, com sua mais original camuflagem anti-Predador, rs rs rs. Como disse o Fabio muito bem: livro é livro, filme é filme, duas linguagens. Vide Senhor dos Anéis que tirou fora do filme um importante personagem dos livros chamado Tom Bombadil [http://pt.wikipedia.org/wiki/Tom_Bombadil], por conta da narrativa literária deste não compactuar bem com a dinâmica do vídeo.
    O “tom” dramático de Jogos Vorazes também ficou vagando, meios sem rumo, na superfície. Tanto que eu, um descarado emotivo, chorão mesmo, praticamente fiquei na emoção-zero com a morte da menininha. O filme não criou a ligação, manteve a garotinha um estranha ao espectador, é um morte, toda morte é feia, mas a morte de um desconhecido diluí os sentimentos de quem assiste. Outro ponto “quente” que a dupla distraída de roteirista/diretor esfriaram foi a decisão de ambos se “suicidarem-se-a-si-mesmos” dos protagonistas, a “sensação” dramática mal saiu de zero. Se os livros seguem o mesmo rítimo, então despencaram também dentro do “panelão” de sucessos “encomendados”, e “fabricados” por gente técnicamente competente, mas que não ama as duas formas de arte, ou ama apenas uma ou outra, livros e/ou cinema, jazendo portanto incapazes de transportar as emoções de um ao outro… Ou ambos, neste caso, são fraquinhos mesmo.

  4. Andre Motta
    em 25/04/2012 04:00

    Spoiler LEVE:

    Olá, eu já terminei com os 3 livros e devo dizer que a Katniss Everdeen, embora pareça forte, é retratada como uma menina emocionalmente fragil. E isso não muda muito durante os 3 livros. Insegurança é o que não falta, e em alguns momentos ela é simplesmente cega/clueless.
    Eu entendo que não muito tempo passa da primeira pagina do livro 1 a ultima do livro 3 (menos que 2 anos) mas mesmo assim uma pessoa amadurece rapidamente quando jogada em varias situações de vida ou morte. O que acontece de forma MUITO sutil com nossa heroína. E o fato dela estar em um triangulo amoroso bem no estilo Crepusculo (que se arrasta até o final) não ajuda muito no quesito amadurecimento.

    A adaptação foi boa mas deixou algumas coisas importantes de fora, e até adicionou algo que está no livro 2.
    O peter deveria perder uma perna (A mesma que a Katniss faz um torniquete) e ganhar uma mecanica (plastico e metal) e isso é importante depois.

    E a revolta no distrito 11 só acontece no livro 2. Usaram como desculpa para mostrar a idéia de permitir que dois sejam vencedores partiu de uma necessidade de acalmar os animos nos distritos. Quando no livro isso não é explicado. Parece que o filme quis nos dar um motivo explicito (e na minha opinião muito idiota).

    Sobre inovação ou não, eu diria que sim, teve. Mas no sentido de misturar algo atual com algo antigo.
    O atual são os reality shows (que de reality não tem nada) que são uma forma de entretenimento baseada em pessoas que supostamente são como nós, vindos de nossa cidade e nós acabamos por torcer por sua vitória.

    E o antigo é a história de Spartacus. A semelhança com é gritante… um gladiador que fica famoso após ser forçado a matar para o entretenimento de todos. E que usa essa fama para levar o povo a uma insurgência/insurreição contra o governo opressor. Um escravo (no caso um tributo) que inspira um povo sofrido a seguir seu exemplo, levantar e lutar até a morte.

    No final eu gostei do filme (Não é maravilhoso mas é bom) e gostei mais ainda dos livros (big surprise).. embora nao simpatize com a protagonista.

    • Fabio Farzat
      em 25/04/2012 10:16

      Oi André,

      no final das contas fico com a mesma impressão que você. O filme é divertido é tem seu lado bom por mais que tenham pesado a mão na parte teen e bobinha.

  5. Adorei o filme, apesar de ser claramente um produto feito para ganhar alguns tostões, pegando o rastro deixado por franquias como HP e Crepúsculo (como próprio falaram nos trailers), acho que além de uma diversão eficiente ele traz um “algo a mais”. Tem um tom contestador que é bem vindo sim.

  6. Gustavo Brazileiro
    em 14/08/2012 10:43

    Eu amei o filme , mas nao etendi umas coisa eu comprei os livros para ver se descubro. Mas eu achei o filme muito bom!

  7. Gustavo Brazileiro
    em 14/08/2012 10:50

    E vc disse q se pareceu mto com Crepusculo , é pq collins quis dazer isso mesmo par pegar um.pulico maior (adolescentes no caso) me disseram que o livro 2 é mais “Adulto”

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