Cavalo de Guerra

Indicado ao Oscar

Não é muito fácil criticar um filme que está sendo indicado para o Oscar. A dificuldade não vem pelo filme, mas pela expectativa que este fato traz as pessoas. Basta que a indicação seja divulgada e o conceito “deve ser bom, tenho que ver” enraíza na cabeça de quase todo mundo. E porque seria diferente com este filme? A parceria de longa data entre Steven Spielberg (direção e produção) e John Williams (produção musical) faz com que o filme ganhe pedigree para almejar o Oscar em duas fortes categorias: Melhor Filme e Melhor Trilha Sonora. Não duvido que isso possa acontecer mesmo achando que o filme não é forte o suficiente para despertar grandes conquistas.

O filme foi baseado em um romance inglês homônimo, de Michael Morpurgo, lançado em 1982 que, posteriormente, se transformou em uma peça da Broadway. Foi esta adaptação que chamou a atenção de Spielberg, que logo percebeu a oportunidade visual que poderia ser oferecida pelas belas paisagens inglesas. Ele realmente conseguiu captar a beleza de Dartmoor, onde muitas sequências do filme foram filmadas. Interessante eu ter novamente comentado sobre Dartmoor, pois recentemente publiquei uma critica sobre o filme Compramos um Zoológico, que faz referência a esta mesma região.

Cavalo de Guerra é um filme de metragem extremamente longa, de ritmo lento, características encontradas nos filmes épicos antigos. Este filme deixou transparecer o “classicismo” de Spielberg, isto para não classifica-lo como antiquado, por nitidamente ser adepto das regras tradicionais de se contar uma história. E a história agora não é sobre um ET, mas sim sobre algo mais comum, um cavalo.

Os 70 minutos iniciais contam o drama de um jovem rapaz pobre, Albert Narracott (Jeremy Irvine) que tem problemas com o pai alcoólatra e que num impulso de revolta compra um cavalo de raça inapropriado para o arado (só para ter uma vitória diante do patrão que também o desejava). Era, porém, o dinheiro que teria para pagar o aluguel da terra. Este ato insensato pode levar a família a perder tudo e ficar na miséria. Mas a salvação vem pelo filho que se torna grande amigo do cavalo (Joey), conseguindo domá-lo e numa sequencia “forçada” consegue arar um pedaço de terreno pedregoso para o plantio de nabos, salvando aparentemente o sustento da família.

Como o título do filme já denuncia, Joey vai para a guerra, no regimento de cavalaria inglês, em pleno primeiro conflito mundial. Dai para frente a narrativa passa por sequências de batalhas, sofrimento, maus tratos, o que se pode imaginar de uma época onde a cavalaria já havia perdido espaço para os fortes materiais bélicos alemães. Os cavalos realmente sofrem um bocado.

A todo o momento o filme tenta explorar os aspectos de crença, esperança e tenacidade. A tenacidade de um jovem e de seu cavalo, movidos pela devoção. Eu, particularmente, achei o filme com muita carga visual, com muitos exageros na trilha sonora, com apelos para manter o choro da plateia, mas que não me convenceu muito. Eu não me arrependi de ter visto, mas fica um alerta para aqueles que vão vê-lo em busca de um filme vencedor de estatueta. Vá ver sem muita exigência e apenas se distraia. Apesar de ser um filme passado na guerra, este é um filme que pode ser visto com a família, afinal Spielberg teve o cuidado de suavizar várias cenas que naturalmente deveriam ser bem chocantes.

Comentários

  1. Fabio Farzat
    em 09/01/2012 09:06

    É fogo mesmo, a indicação ao Oscar dá uma estrelinha pro filme. Ainda acho que alguns entrem nessa categoria APENAS para salvarem os profissionais envolvidos com a porcaria …

    Não vi esse mas com a sua indicação negativa ou deixar pro dvd!

    • Fábio, me desculpe, não concordo com seu comentário, o filme é excelente, se você verificar os outros filmes que concorrem a estatueta são bem abaixo. Gosto muito de filmes que tem animais, principalmente animais inteligentes como aquele cavalo do filme. Me desculpe a franqueza

  2. Tenho acompanhado e nos EUA ele tem estado bem abaixo da expectativa de bilheteria. O filme não é ruim, ele é BASICÃO. Um bom filme para a sessão da tarde.

  3. puxa eu assisti e achei lindo e puramente família recomendo !

    • Ele é bem família, mesmo se passando em ambiente de guerra. Eu só esperava mais por ser um filme comentado para o Oscar. Mas vale a diversão. Minha mulher também gostou muito.

      • Fabio Farzat
        em 07/05/2012 10:47

        Finalmente assisti. Te dizer que realmente e um bom filme. Achei um tanto forcado em alguns aspectos mas que no geral diverte e e bom. Nao acho que foi uma boa indicação ao Oscar, mas vá la … Hoje em dia nao e o que conta.

  4. bom, eu chorei de ver esse filme ,só de falar meus olhos enche de água,vendo um melhor amigo morrer e o outro ir no lugar me deu uma dó,eu sou muito sentimental,eu chorei muito quando o cavalo enssinou colocar o cabreço no outro cavalo…

  5. Excelente filme, excelentes atores/diretor e a inteligência de um cavalo magnífico, tudo isso são motivos para um filme concorrer ao Oscar.
    O filme é simplesmente fenominal, vejam os outros filmes que concorrem a estatueta, não chegam nem perto. Recomendo.

  6. Mário Suriani
    em 02/02/2014 12:07

    Assisti hoje e também achei um excelente filme. Digno das obras de Spielberg.

  7. assisti esse filme e gostei,gostei muito da atitude do albert, ele e joey forao muito corajosos eles sao verdadeiros guerreiros

Deixe seu comentário