À Beira do Abismo (Man on a Ledge, 2012)

Poster do filme

Este filme pode ser um bom entretenimento para aqueles dias em que queremos ir ao cinema apenas para nos distrair, sem termos que nos preocupar em entender uma historia complexa, um suspense muito elaborado ou algo do gênero. À Beira do Abismo é um filme simples e sem muitas pretensões. Particularmente eu tenho observações que negativariam as intensões de qualquer um em ir vê-lo, mas vou deixa-las para o final, pois para aqueles que são menos exigentes, isto não fará a menor diferença.

Neste filme você vai encontrar um pouco de ação, um pouco de suspense, um pouco de romance, um pouco de cada coisa, mas não imaginem um roteiro bem elaborado que entremeia a história por todos estes gêneros. O roteiro é pouco criativo e ainda descobri que é copia de um outro filme recente chamado “A Tentação(The Ledge,2011). À Beira do Abismo foi escrito pelo venezuelano Pablo F. Fenjves, que vinha concentrando seus trabalhos em fitas para TV desde 1993. A direção também não é muito experiente. Asger Leth é um diretor dinamarquês, filho do veterano Jorgen Leth, mas ainda muito inexpressivo. Seus trabalhos anteriores envolveram apenas documentários.

A trama começa com um ex-policial preso, aparentemente inocente, recebendo a notícia que todas as suas apelações foram negadas, restando a ele o conformismo de cumprir toda sua pena mesmo alegando sua inocência. Eu não vou entrar em detalhes de como ele vai parar em um parapeito de um prédio no centro de Nova York, mas o fato é que o filme começa mesmo ali.

Com o desenrolar da trama, entendemos a motivação daquela situação, temos o esclarecimento do porque o ex-policial se diz inocente, identificamos os vilões, salvamos a mocinha e esperamos o final feliz. Nada muito sofisticado ou extraordinário.

Pronto! Isto é o que eu posso falar sem prejudicar a expectativa de quem vai querer ver o filme. A partir de agora mudo da opinião do expectador camarada para um observador mais exigente.

Texto com Spoiler:

A primeira observação que faço é com relação a pouca exploração do suspense causado pela dúvida se o ex-policial pularia ou não. Desde o início do filme é obvio que ele não tinha pretensão nenhuma de pular. Achei que poderia ter sido bem mais explorado este ponto, tornando o filme mais tenso e incerto.

A próxima observação diz respeito ao comportamento dos cúmplices do ex-policial quando tratam a invasão do prédio em frente. Imaginem se um cara poderia ficar com brincadeiras infantis com a namorada durante a operação de invasão de um escritório totalmente protegido, sabendo que seu irmão estava em um parapeito de um prédio, preste a ser abordado por uma equipe tática da Swat, correndo o risco de morrer. Improvável, não?

Ed Harris, muito magro e envelhecido

Outro momento forçado acontece quando um policial “amigo” entra no quarto que dá acesso ao suicida expulsando todos os policiais com uma facilidade incrível. Cena bem mal feita, por sinal.

Existem muitos outros pontos inverossímeis nesta trama que fazem você pensar de como foram mal resolvidas determinadas questões.

O protagonista Sam Worthington, conhecido por atuações em Avatar e Fúria de Titãs, não convence. Talvez pelo fato do filme evidenciar principalmente as suas tomadas de fisionomia. Para um ator canastrão e sem carisma, isso é um tiro no pé.  Elizabeth Banks, no papel da policial Lydia Mercer, contracena com Sam sem inspiração nenhuma. Ela é a negociadora a frente da situação, papel que daria espaço para uma excelente interpretação.

Mas o mais marcante neste filme foi quando identifiquei Ed Harris no papel do empresário David Englander. Ele está muito, mas muito magro e envelhecido. Eu me assustei com o ator de 61 anos que está parecendo um homem de 80.

Enfim, o filme é tão cheio de situações improváveis, que se for levado a sério você não recomendaria para ninguém. Mas como falei no inicio desta crítica, indo sem pretensão, apenas para distrair, o entretenimento vale o risco.

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